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Fim de semana: O domingo das carreatas, dos processos e dos candidatos desaparecidos

O fim de semana eleitoral em Sergipe teve carreata, inauguração de comitê, promessa de ponte, debate sobre pesquisa, processo judicial e candidato tão discreto que talvez estivesse fazendo campanha por telepatia. Fábio Mitidieri cumpriu a agenda mais visível do domingo, passando pelo Rosa Elze, em São Cristóvão, e seguindo depois para a Barra dos Coqueiros. A carreata partiu de Aracaju e terminou na inauguração do comitê de Adailton Martins, com Rogério Carvalho, Cláudio Mitidieri, Airton Martins e outras lideranças governistas. Os organizadores falaram em milhares de pessoas e centenas de veículos, aquela contabilidade eleitoral em que até o carro estacionado para comprar pão corre o risco de entrar na carreata. Fábio mostrou estrutura, grupo e capacidade de colocar sua tropa na rua. Quando o Governo sai para passear, não falta autoridade, bandeira nem alguém segurando o celular no melhor ângulo.

No discurso, Fábio voltou a apresentar obras, continuidade, Rota da Barra, nova ponte entre Aracaju e Barra dos Coqueiros e investimentos em energia. É um cardápio ambicioso, servido com drone, música e muita fotografia. O problema é que o eleitor já aprendeu a perguntar quando chega o prato principal, porque promessa de ponte em Sergipe costuma atravessar mais campanhas do que rio. O domingo também foi tomado pela guerra das pesquisas. França, INOR e CTAS apresentaram fotografias bastante diferentes da disputa entre Fábio e Valmir, como se cada instituto tivesse visitado um Estado diferente. Pesquisa eleitoral virou espelho de camarim: cada grupo escolhe aquela em que aparece mais bonito, publica nas redes e acusa a outra de estar com a iluminação errada.

Valmir de Francisquinho não teve uma grande carreata dominical confirmada pela imprensa, mas conseguiu permanecer no centro da conversa política. Enquanto Fábio colocou veículos nas ruas, Valmir parece avançar por uma estrada mais difícil de medir: a identificação com o povão. Sua candidatura continua mobilizando eleitores, principalmente no interior, onde seu jeito direto, sua origem municipalista e sua linguagem popular encontram uma conexão que não precisa de cerimonial. Ele surge como o candidato que conversa sem parecer estar lendo um relatório de gestão. No fim de semana, sua movimentação mais importante aconteceu nos campos jurídico e digital. A defesa apresentou alegações finais no processo de impugnação, sustentando a validade da cautelar do STJ e contestando provas que tentariam ligá-lo informalmente à administração de Itabaiana. A decisão ainda caberá à Justiça Eleitoral, mas, politicamente, cada nova batalha jurídica parece reforçar diante de parte do eleitorado a narrativa do candidato que apanha, resiste e continua de pé.

Valmir também explorou, ao lado de Emília Corrêa, a proposta de utilizar o Banese para abrir linhas de crédito destinadas a taxistas, motoristas de aplicativo e trabalhadores do transporte complementar. É uma pauta que conversa diretamente com quem acorda cedo, enfrenta combustível caro e depende do próprio veículo para colocar comida em casa. Enquanto alguns candidatos discutem o tamanho do palanque, Valmir procura falar com quem calcula o preço da parcela. Essa é sua maior força neste momento: transformar assuntos concretos em linguagem popular e ocupar o espaço emocional da campanha. Fábio pode reunir prefeitos, secretários e lideranças numa fotografia ampla. Valmir tenta reunir o eleitor dentro de uma ideia simples, a de que o Governo precisa voltar a olhar para quem trabalha. Um exibe musculatura institucional; o outro procura converter proximidade em confiança.

Ricardo Marques permaneceu embalado pela repercussão do ato de sábado e pela aproximação com o palanque nacional do PL, mas não teve agenda dominical confirmada com segurança. Emanuel Cacho, Helton Monteiro e Taty Cristina também não deixaram rastros públicos suficientes de caminhada, reunião ou carreata. Talvez estivessem reunidos numa convenção de candidatos discretos, com entrada secreta e cobertura proibida. A segunda feira chega com a discussão sobre o plebiscito da Zona de Expansão e com o processo de Valmir entrando em fase decisiva. O fim de semana mostrou que Fábio possui estrutura para ocupar ruas, mas Valmir vem conquistando algo que não cabe inteiro numa carreata: a atenção, a simpatia e o sentimento de uma parcela crescente do povo sergipano. Na política, carro de som faz barulho, drone produz imagem e liderança leva bandeira. Mas quem decide a eleição continua sendo aquele cidadão silencioso que observa tudo e escolhe sozinho diante da urna

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