A disputa estadual ligada ao PT chega a 2026 com nomes conhecidos e um congestionamento capaz de fazer o trânsito de Aracaju parecer pista livre num domingo. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, trabalha politicamente com a possibilidade de conquistar três cadeiras na Assembleia, enquanto uma quarta dependeria de uma votação coletiva bastante elevada. Não existe, porém, um número mágico de 25 mil ou 30 mil votos que garanta eleição. Na disputa proporcional, o candidato pode correr muito e ainda precisar que os companheiros empurrem o carro. Aqui, até quem não chega à cadeira ajuda a carregar o móvel.
Paulo Júnior parte dos 27.947 votos de 2022 e precisa conservar sua base num ambiente mais concorrido. Chico do Correio, eleito com 18.523 votos, entra com mandato, presença territorial e a missão de provar que seu carteiro eleitoral ainda conhece todos os endereços. Ibrain de Valmir, que recebeu 16.554 votos, tenta reorganizar sua estrutura e afastar dúvidas sobre o empenho do grupo dos Reis em sua campanha. Mas votação passada não é escritura de terreno: não existe usucapião de eleitor. Quem votou ontem precisa ser conquistado novamente hoje, com abraço, sorriso, cafezinho e a clássica promessa de que “desta vez vai”.
Candisse Carvalho chega com militância, comunicação e uma estrutura política que dificilmente ficará estacionada na garagem, pois é esposa do senador Rogério Carvalho. O casal deverá dividir estradas, palanques e articulações, porque, em casamento político, até santinho vira bem comum. Camilo Daniel carrega a experiência de vereador e a ligação com o pai, o deputado federal João Daniel. Professor Dudu, Professor Bispo, Augusto César e os demais integrantes completam uma nominata na qual cada voto ajuda a formar o quociente da federação. Na eleição proporcional, até o candidato que não entra no salão pode colaborar para pagar a festa, embora depois descubra que ajudou a comprar o bolo e ficou sem fatia.
Padre Inaldo aparece como uma das figuras mais experientes dessa chapa. Foi deputado estadual e prefeito de Nossa Senhora do Socorro por dois mandatos, eleito em 2016 e reeleito em 2020. Conhece campanha, máquina municipal, bairro, povoado e todas as misteriosas artes da sobrevivência política. Como padre, sabe celebrar; como ex-prefeito, sabe pedir voto; e, como candidato, provavelmente já percebeu que a disputa interna não distribui indulgência nem perdoa pecado eleitoral. Sua experiência pode recuperar antigas bases, mas a concorrência será apertada. No fim, três cadeiras aparecem como cenário discutido e possível, enquanto a quarta exigiria uma verdadeira multiplicação dos votos. E, nessa chapa, não faltarão candidatos querendo ser o pão, o peixe e, se possível, também o responsável pelo milagre.
Agora, a pergunta sai dos gabinetes e chega ao leitor: se a Federação realmente conquistar três cadeiras, quem você acha que o PT vai eleger? Paulo Júnior, Chico do Correio, Ibrain, Candisse, Camilo, Padre Inaldo ou algum nome que hoje corre por fora? Faça sua aposta, porque voto tem, candidato sobra e cotovelo eleitoral já está sendo distribuído antes mesmo da abertura das urnas. No PT, todo mundo ajuda a empurrar o carro, o problema é descobrir quem ficará com as três vagas no banco da frente.




