A guerra das pesquisas já virou uma eleição paralela. A guerra das pesquisas já virou uma eleição paralela. Em menos de uma semana, o sergipano acordou governado por três Estados diferentes. O INOR colocou Valmir de Francisquinho com 46,73% contra 31,59% de Fábio Mitidieri, resultado que, na conversão em votos válidos, indicaria vitória de Valmir no primeiro turno. Logo depois, o CTAS apresentou o universo de cabeça para baixo: Fábio com 44,43% contra 25,49% de Valmir e 58,75% dos votos válidos, também liquidando a eleição sem segundo turno. Antes disso, o Instituto França já havia mostrado Fábio à frente por 38,94% a 28,76%, enquanto a Real Time Big Data encontrou os dois tecnicamente empatados, com 43% a 40%. Um instituto diz “Valmir leva”; outro responde “Fábio já ganhou”; o terceiro grita “calma, ninguém decidiu”. Não é pesquisa para todo gosto. É quase um serviço personalizado: o candidato escolhe o resultado, publica a arte e passa o domingo governando o próprio Instagram. O presidente do TRE de Sergipe e toda a Justiça Eleitoral precisam observar essa explosão com atenção redobrada, exigindo transparência sobre contratantes, questionários, municípios, composição da amostra, datas das entrevistas e critérios utilizados. Pesquisa registrada não é profecia homologada pelo Tribunal, nem o número do registro funciona como certificado de verdade absoluta. Diferenças metodológicas existem, mas quando um levantamento aponta vantagem de 15 pontos para Valmir e outro, praticamente no mesmo período, entrega quase 19 pontos para Fábio, o eleitor tem o direito de perguntar se estão pesquisando o mesmo Sergipe. Cabe ao cidadão desconfiar das manchetes triunfalistas, consultar a ficha completa e lembrar que pesquisa é fotografia, não escritura da urna. Se aceitar cada card de campanha como revelação divina, o sergipano chegará à eleição acreditando que os dois candidatos venceram no primeiro turno. E a urna, que não lê postagem nem participa de grupo de WhatsApp, poderá aplicar em todos a única pesquisa que realmente não aceita maquiagem.
TRE precisa decidir logo e estancar a sangria eleitoral de Valmir. A defesa de Valmir de Francisquinho apresentou as alegações finais e procura afastar tanto os efeitos eleitorais da condenação quanto a acusação de comando informal sobre a Prefeitura de Itabaiana. Agora, é preciso que a Justiça Eleitoral julgue o processo com a rapidez e a segurança jurídica que o caso exige. Cada dia de indefinição sangra a candidatura, alimenta boatos e permite a circulação da falsa afirmação de que Valmir não seria candidato. Até o julgamento, permanece vigente a liminar invocada pela defesa, e não existe decisão definitiva impedindo sua participação na disputa. Valmir está em campanha e tem direito a disputar sem carregar diariamente uma sentença fabricada nas redes sociais. O TRE precisa decidir logo, seja qual for o resultado, porque eleição democrática exige voto consciente, não candidatura mantida numa sala de espera.
Pressão funciona e TJSE convoca novos servidores. O TJSE convocou 11 novos servidores aprovados no concurso de 2023, sendo dez técnicos judiciários e um analista em Medicina do Trabalho. A chamada ocorre depois da mobilização dos concursados e da atuação firme do Sindijus, que denunciou a existência de mais de 130 cargos vagos e a sobrecarga nas unidades. Ainda é pouco diante do déficit, mas representa uma conquista importante da categoria. O Sindijus fez o que se espera de um sindicato atuante: pressionou, dialogou e apresentou resultado. Afinal, processo pode ser eletrônico, mas a Justiça ainda precisa de gente para funcionar.
Voto não é ordem de serviço. TRE-SE, MPT-SE, TRT, MPF, MPSE e Polícia Federal assinam nesta terça-feira, 25, um pacto para combater o assédio eleitoral nas relações de trabalho. O acordo proíbe o uso de cargos, uniformes, crachás, grupos institucionais e estruturas públicas ou privadas para pressionar a escolha política de trabalhadores. A união das instituições é necessária e chega em boa hora, justamente quando a campanha começa a despertar certas vocações autoritárias escondidas atrás de sorrisos democráticos. O pacto merece aplausos, mas precisará oferecer denúncia rápida, proteção à vítima e punição exemplar. Porque urna não é extensão do escritório, salário não compra consciência e empregado nenhum deve receber do chefe, junto com a escala de trabalho, instruções sobre em quem votar.
O emprego que não subiu ao palanque. Sergipe fechou o segundo trimestre de 2026 com desemprego de 7,9%, enquanto a média brasileira caiu para 5,4%, o menor índice para o período desde 2012. É verdade que o Estado melhorou em relação aos 10,3% registrados três anos antes, mas continua com uma das cinco maiores taxas do país e acima até da média nordestina, de 7,6%. O dado atravessa com pouca delicadeza a propaganda oficial sobre investimentos, festas e prosperidade. Governo adora contar empregos anunciados, mas o trabalhador só acredita quando recebe salário. No fim, a economia real não aparece no vídeo institucional: acorda cedo, entrega currículo e volta para casa sem resposta.
Japaratuba tremeu, e a política também. Um tremor de magnitude 1,3 foi registrado na sexta-feira, 21, em Japaratuba, com relatos de moradores também em povoados de Japoatã. O abalo foi confirmado pelo Laboratório Sismológico da UFRN, não provocou feridos nem danos e, tecnicamente, foi considerado muito fraco. No mesmo dia, porém, outro tremor sacudiu o chão político de Sergipe: a pesquisa INOR apontou Valmir de Francisquinho com 46,73%, contra 31,59% de Fábio Mitidieri. O primeiro movimento veio do subsolo e passou depressa; o segundo saiu das urnas da pesquisa e deve produzir réplicas durante toda a campanha. Em Japaratuba, a terra apenas balançou. No Palácio, é possível que alguns lustres ainda estejam tremendo.
Flávio explica, Lula terceiriza o silêncio. O primeiro debate presidencial de 2026, promovido pela Band, reuniu apenas Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury. Flávio Bolsonaro justificou sua ausência em vídeo, afirmando que pretende confrontar Lula, a quem considera seu verdadeiro adversário. Lula, porém, não explicou pessoalmente ao eleitor porque faltou, deixando à campanha a alegação de “desigualdade de condições”. Renan aproveitou o vácuo e levou fraldas com os nomes dos dois favoritos. A provocação atingiu ambos, mas a conta pesa mais para quem ocupa a Presidência. Flávio apresentou sua desculpa; Lula mandou a assessoria apresentar a dele. Para quem deseja governar por mais quatro anos, fugir da pergunta já no primeiro debate é começar a campanha oferecendo silêncio como resposta.
Na televisão, Fábio ganha no relógio. A campanha entra no rádio e na televisão nesta sexta-feira, 28, e segue até 1º de outubro. Em Sergipe, Fábio Mitidieri terá 4min43s por programa, quase uma minissérie eleitoral; Ricardo Marques, 2min17s; Valmir de Francisquinho, 1min02s; Emanuel Cacho, 30 segundos; e Dr. Helton, 26 segundos, tempo suficiente para dizer o nome e pedir voto sem respirar. Taty Cristina não terá espaço no programa em bloco e precisará fazer campanha fora da telinha. A divisão considera o tamanho das bancadas dos partidos e das coligações na Câmara, não a posição dos candidatos nas pesquisas. Mas ninguém deve se apaixonar demais pelo cronômetro: se houver segundo turno, a propaganda será exibida de 9 a 23 de outubro e o tempo será dividido igualmente. No primeiro turno, alguns ganham um documentário e outros um comercial de remédio; no segundo, o relógio eleitoral vira comunista e reparte tudo por igual.
Salomão e o básico ainda pendente. À Folha, o presidente do STJ, Luís Felipe Salomão, perguntou que juiz se venderia por uma passagem e relativizou novas regras para eventos patrocinados. Pode até ter razão ao dizer que norma sozinha não fabrica integridade, mas transparência também não é punição, é obrigação. Divulgar quem pagou viagem, hospedagem e palestra é apenas o básico do básico. Passagem talvez não compre magistrado, mas o segredo sobre quem pagou compra desconfiança. E a Justiça, antes de pedir fé, precisa apresentar a nota fiscal.
Lagarto: Fábio promove casamento sem lua de mel I. Fábio Mitidieri conseguiu o improvável em Lagarto: acomodar Bole-Bole e Saramandaia dentro do mesmo projeto eleitoral, duas famílias políticas que historicamente preferem perder separadas a sorrir juntas. No sábado, o governador reafirmou apoio ao prefeito Sérgio Reis e tratou sua gestão como modelo, apesar das críticas duríssimas vindas do grupo de Gustinho Ribeiro. A fotografia pode parecer união, mas tem cheiro de casamento feito apenas para dividir o mesmo candidato. Fábio conseguiu juntar os rivais; agora falta avisar aos eleitores deles. Se a aliança produzir mais ciúme do que voto, o milagre terminará em derrota antes da lua de mel.
Lagarto: Fábio promove casamento sem lua de mel II. Fábio elogiou Sérgio Reis como grande prefeito e, sem perder o fôlego, também chamou Gustinho Ribeiro de deputado atuante e importante para Sergipe. É a diplomacia eleitoral em sua forma mais elástica: concordar com dois adversários locais que dificilmente concordam até sobre a previsão do tempo. O governador distribuiu elogios como quem serve bolo em festa de família, oferecendo uma fatia para cada grupo e rezando para ninguém atirar o prato. O problema é que Bole-Bole e Saramandaia podem até caber no mesmo palanque estadual, mas não necessariamente na mesma urna. Em Lagarto, Fábio uniu os contrários; resta saber se não unificará também a vontade de derrotá-lo.
Dra. Clécia mostra força e amplia seu espaço em Socorro. Dra. Clécia Carvalho mostrou força política na última sexta-feira, ao mobilizar uma carreata e inaugurar seu comitê de campanha em Nossa Senhora do Socorro. Candidata a deputada federal pelo Republicanos, ela vem crescendo com discurso direto, presença nas comunidades e uma base construída longe dos gabinetes. Embora dispute cargo diferente, Clécia já demonstra condições de alcançar votação nominal superior à de lideranças tradicionais como Padre Inaldo e Fábio Henrique. Sua movimentação revela uma candidatura verdadeira, cada vez mais competitiva e com futuro além de 2026. Mantido esse ritmo, Clécia não estará apenas disputando Brasília: começará a se credenciar como nome forte para a próxima eleição municipal em Socorro.
Rodrigo descobriu o botão do corte I. No último debate ao Senado, Rodrigo Valadares mostrou que entende a nova gramática eleitoral: pergunta curta, acusação direta e frase pronta para sair do estúdio já editada. Mirou Alessandro Vieira, cobrou sua atuação contra corrupção e crime organizado e ressuscitou a ligação política com Milton Andrade para carimbar no adversário o apelido de “pai da Iguá”. Pode-se discordar do ataque, mas não da velocidade: Rodrigo ligou os pontos, apertou o modo viral e deixou o algoritmo fazer campanha. A temperatura da política sergipana vai subir, e ele já chegou segurando o termostato.
Rodrigo descobriu o botão do corte II. Rodrigo entrou no debate como candidato ao Senado e saiu como editor-chefe dos próprios cortes. Quando Alessandro tentou levá-lo ao terreno da produção legislativa, acusando-o de não ter projetos aprovados, Rodrigo respondeu puxando Iguá, Milton Andrade, combate à corrupção e crime organizado para o centro do ringue. Não esperou a discussão amadurecer, porque nas redes sociais argumento muito cozido perde audiência. O deputado parece ter entendido que, em 2026, cada resposta precisa caber num Reels e cada adversário precisa sair com um apelido. Se continuar nesse ritmo, o próximo debate talvez precise de mediador, cronômetro e bombeiro.
Agosto Lilás não pode terminar em nota de pesar. Uma mulher de 47 anos foi morta a tiros dentro de casa, no povoado Quebradas III, em Salgado; o companheiro, apontado como suspeito, foi preso, e a Polícia Civil apura a responsabilidade e a possível caracterização de feminicídio. O caso expõe uma violência ainda brutal em Sergipe e no Brasil, que registrou 1.571 feminicídios em 2025, mais de quatro mulheres mortas por dia. Campanhas, laços lilases e publicações nas redes ajudam, mas não podem substituir delegacias estruturadas, abrigos, medidas protetivas rápidas e fiscalização dos agressores. É preciso uma reação pública muito mais firme, antes da tragédia. Mulher não pode receber proteção apenas depois de virar estatística.
Adriana acelera, Samuel puxa o freio. Em Nossa Senhora do Socorro, Alessandro Vieira é o candidato ao Senado, mas Adriana Carvalho, primeira-dama e primeira suplente, assumiu o microfone e virou o motor da campanha. Ela discursa, convoca e tenta empurrar a chapa, enquanto o desgaste da gestão do marido, o prefeito Samuel Carvalho, funciona como freio de mão puxado. As críticas de servidores, os conflitos com professores e as reclamações sobre os serviços municipais acabam contaminando o palanque e dificultando o crescimento de Alessandro no município. Adriana está com a peste eleitoral, mas não há entusiasmo que resolva sozinho uma administração mal avaliada. Em Socorro, a suplente acelera, o prefeito pesa e o titular continua sem sair do lugar.
Na eleição, o contador também pede voto. Com a campanha em andamento, cada doação, contrato, despesa e nota fiscal passa a integrar a biografia financeira do candidato. Não basta contratar um bom advogado, porque prestação de contas exige também um excelente contador, capaz de impedir que a festa eleitoral termine em ressaca judicial. Contas desaprovadas não geram inelegibilidade automática, mas irregularidades podem provocar multas, devolução de recursos e ações mais graves; contas não prestadas impedem a quitação eleitoral. O advogado sabe apagar incêndios, mas o contador competente não deixa o candidato brincar com fósforo perto do Fundo Eleitoral. Na urna, ganha quem tem voto; depois dela, sobrevive quem guardou os recibos.




