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Rodrigo acende a polêmica; Mário Leony sopra a fumaça

A campanha sergipana finalmente encontrou a pauta que faltava para resolver os problemas do Estado: descobrir quem fuma maconha no PSOL. Rodrigo Valadares, bolsonarista, conservador e candidato ao Senado, declarou: “PSOL, imagine, partido que é negócio de fumador de maconha?”. Em seguida, atacou a coerência de um candidato da sigla que dizia defender a vida. Rodrigo não provou que o adversário consome maconha, mas associou o partido e seu candidato ao consumo da droga. Foi o momento em que o debate saiu do campo das propostas, atravessou a boca de fumo retórica e estacionou no corte para as redes sociais. Política séria dá trabalho. Apelido rende curtida antes do intervalo.

Mário Leony respondeu como se Rodrigo tivesse invadido a delegacia, apreendido sua paciência e levado o bom senso algemado. Chamou o adversário de extremista, negacionista, sofrível e medíocre, além de desejar que sua candidatura ao Senado continue sem decolar. Para quem acusa Rodrigo de não suportar críticas, Leony demonstrou uma tolerância tão ampla quanto uma cela individual. A resposta veio com sirene, giroflex, quatro viaturas e um mandado de busca no dicionário de insultos. Rodrigo acendeu a provocação. Leony apareceu trazendo o galão de gasolina e perguntando onde estava o fósforo.

No currículo eleitoral, Rodrigo entra nessa briga com vantagem evidente. Já foi deputado estadual, chegou à Câmara Federal e agora disputa o Senado, enquanto trabalha para levar Moana Valadares à Câmara. Leony conquistou 2.479 votos para vereador de Aracaju em 2024, ficou como suplente e resolveu mirar diretamente uma cadeira de deputado federal. Não conseguiu entrar pela porta da Câmara Municipal, mas já escolheu a janela do Congresso Nacional. O PSOL chama isso de ousadia. O eleitor talvez chame de elevador eleitoral com defeito, que ignora todos os andares e tenta parar direto em Brasília.

Rodrigo tem mais peso político, experiência e capacidade de pautar o debate. Também tem o mérito de enfrentar uma esquerda que costuma defender tolerância até alguém discordar dela. Mas enfraquece sua própria crítica quando substitui argumento por generalização e transforma todo o PSOL numa roda imaginária de maconha. Leony, do outro lado, responde à caricatura tornando-se exatamente a caricatura do militante indignado, cercado de adjetivos e órfão de serenidade. No fim, Rodrigo ganha o confronto político, Leony vence o campeonato de irritação e Sergipe continua esperando propostas enquanto os dois discutem quem soltou a fumaça.

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