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TSE absolve ex-prefeito e pai em caso de abuso de poder político

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, com a solenidade de sempre e a convicção de quem já se acostumou a absolver políticos, que o ex-prefeito de Nossa Senhora das Dores, Dr. Thiago de Souza Santos, e seu pai, Gilberto dos Santos, não cometeram nenhum abuso de poder nas eleições de 2020. Sim, aquele mesmo processo em que o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe havia condenado os dois à inelegibilidade por oito anos.

Segundo o TSE, as contratações em massa feitas em 2020, ano eleitoral, mas também ano de pandemia, não tinham cheiro de manobra política, mas sim de “necessidade administrativa” para manter serviços públicos essenciais. Como se a máquina pública brasileira fosse conhecida por sua agilidade súbita em contratar, justamente quando urnas se aproximam. Pura coincidência.

E sobre aquelas reuniões organizadas por Gilberto dos Santos, com servidores contratados, discutindo política? Relaxa: eram fora do expediente. Segundo a Corte, se não teve coação explícita, não teve problema. Aparentemente, funcionário público convocado pelo chefe para “conversar” sobre a campanha do filho pode ficar tranquilo, porque não existe pressão nenhuma nessa relação. Claro.

Com isso, os médicos, pais e filho, Dr. Thiago e Dr. Gilberto estão livres para continuar sua trajetória política, sem a menor sombra no currículo, exceto aquela condenação que foi, convenientemente, apagada no carimbo de Brasília.

A lição é simples: em política, a linha entre abuso e necessidade administrativa é tão fina quanto um fio de bigode em foto oficial de campanha. E no Brasil, quando a corda aperta, essa linha sempre arrebenta para o lado do político.

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